Histórico

Na 1ª edição [2008], o encontro CORPOCIDADE testou um formato híbrido entre acadêmico e artístico, que admitia inscrições de propostas teóricas de comunicações e de propostas artísticas de intervenção urbana, cuja seleção ficou a cargo do Comitê Científico Artístico formado por professores e artistas, também responsáveis pela coordenação dos debates de cada Sessão Temática durante o encontro. Desse modo, além de concretizarmos a desejada articulação entre teoria e arte, também estendemos desdobramentos do evento para a própria cidade, onde foram realizadas as 16 intervenções urbanas, no âmbito do evento 10 DIAS de cidade e cultura (FUNCEB), cujo calendário incorporou o CORPOCIDADE.

Na 2ª edição [2010], optamos por uma dinâmica de debate sobre “conflito e dissenso no espaço público” que incluísse o processo de construção da própria matéria a ser debatida, a partir de experiências coletivas mobilizadas pelos contextos da Maré (RJ) e de Alagados (Salvador). Neste formato, o debate final foi a instância pública da experiência que o gestou e cada experiência foi antecedida pela apresentação cênica das obras coreográficas Pororoca, da coreógrafa Lia Rodrigues (RJ) e SIM – ações integradas de consentimento para ocupação e resistência, do coreógrafo Alejandro Ahmed e Grupo Cena 11, cujas propostas estéticas já tematizavam as questões de conflito e negociação no espaço e que atuaram como provocações e ponto de ignição dos trabalhos do grupo.

A 3ª edição [2012], em articulação ao 3º Seminário Cidade & Cultura (Pró-Cultura – CAPES/MinC) e ao início da pesquisa Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea, enfocou as possibilidades de apreensão corporal da cidade e seus modos de compartilhamento e transmissão, tensionando as noções de corpo, cidade e cultura a partir da noção de experiência. Para cumprir o propósito de abordagem da experiência urbana pelo seu duplo caráter de prática de mapeamento corporal e narrativa cartográfica, o encontro integrou 3 atividades diferentes e complementares: OFICINAS – experiências metodológicas em áreas específicas da cidade de Salvador, destinadas a testar procedimentos para apreensão da cidade contemporânea; seminário de articulação – apresentação das experiências metodológicas destinada ao exercício de reflexão crítica sobre as oficinas realizadas; e seminário público– atividade aberta à participação de todos que reuniu pesquisadores de diferentes áreas.

Na 4ª edição [2014] o encontro marcou o encerramento da pesquisa Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea [PRONEM – FAPESB/CNPq], desenvolvida pelo grupo Laboratório Urbano (PPGAU/FA-UFBA) ao longo de 3 anos. A pesquisa Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea investigou metodologias de apreensão da complexidade das cidades no atual contexto de espetacularização urbana, buscando articular 3 linhas de abordagem que costumam ser tratadas separadamente: historiografia, apreensão crítica e experiência estética-corporal. Tomando a noção de experiência como princípio norteador desta investigação metodológica. Desse modo, o CORPOCIDADE 4 propôs três diferentes planos de compreensão da complexidade da experiência urbana, cada qual incluindo uma tríade de aspectos coimplicados: um tipo, um modo e um campo, assim distribuídos: 1. subjetividade, corpo, arte; 2. alteridade, imagem, etnografia e 3.memória, narração, história. Atravessando esses três planos, uma outra tríade de aspectos da apreensão da cidade se inclui no processo como um plano transversal de problematização: experiência, sujeito, transmissão.

A 5ª edição [2016] propôs uma reflexão sobre as relações entre corpo e cidade, a partir da ideia gestos urbanos. Gestos urbanos inicialmente pensados a partir de uma constelação de referências, em constante atualização, que abrem frestas de compreensão do complexo emaranhado subjacente à instauração das dinâmicas urbanas em que estamos todos implicados. Referências cujos pressupostos e contextos, embora diferentes, apontam para enfoques correlatos, entretanto distintos do senso comum, ao deslocar a ideia de gestos de um sentido puramente etológico para aquele epistemológico. O encontro propôs explicitar a potência crítica, criativa, analítica e política dos gestos urbanos, tomando por órbita nesta constelação a ideia de gestos-fio formulada por Ana Clara Torres Ribeiro como aqueles necessários à trama da urbanidade:

“pois costuram saberes à co-presença, estimulando a superação do prestígio ainda mantido pelas leituras mecanicistas e funcionalistas da vida urbana. (…) Dos gestos-fio ‘impensados’ podem advir descobertas radicalmente novas e vínculos imprevisíveis, o que também é necessário à tessitura do social, especialmente num período caracterizado pelo esgarçamento de relações sociais.”